quarta-feira, 23 de outubro de 2019

ESTES DIAS

ESTES DIAS

Me desfaço.
Esfarela um pedaço do meu ser a cada pegada destes dias.
Sinto o fim.
A pressão. A loucura. A ansiedade, onde vim parar.
Uma cratera.
Este espaço, ganha espaço neste peito já cansado.
Não é sobre idade.
Onde foi parar a alegria, a amizade e a preocupação? Sinto sua falta.
A lentidão me ataca.
Nas últimas sensações uma dor pesada, triste e sem muito idealizar. Ó céus, onde este eu, o meu eu, foi parar?
Belas palavras.
Já não as sinto, não me toca e agrada estes poucos sonhar, seria a hora de desembarcar?
Não é um adeus.
É apenas mais algumas poucas frases de desesperançar.
Aqui, este pesar.

GOMES, L. S.

terça-feira, 28 de maio de 2019

O COLETIVO DO EU SOZINHO


O COLETIVO DO EU SOZINHO

O tempo tem passado. O cabelo embranquecido e os questionamentos aumentado.
A fala. A voz. Os posicionamentos mudaram. É, de fato eu cresci.
Volta e meia a garganta trava, o coração pulsa e as mãos falham, não envelheci tão bem assim.
Ou seria tudo parte do processo, de antes de se auto afirmar, se questionar se estamos todos prontos para enviar discordâncias e consonâncias com outros eus por aí estar.
O tolo tem certezas, o sábio questionamentos e o louco a inquietação de não saber por onde o tal coração.
A batida mudou. O ritmo silenciou, e as danças por algum lugar se acomodou.
Não sei onde apalpar, os olhos fecharam ao se auto realizar, mas os joelhos se dobraram ao pesar, pois estão sozinhos nesse tão curto e longo caminhar.
Me entristeci. Me enlouqueci. Me reencontrei com um louco a sonhar, mas as cores dessas telas assumiram um novo nadar.
Antes que afunde, me inunde. Me jogue para fora desse tóxico mar, para então as linhas brancas do meu ‘cerebrar’ fiquem para trás juntos dessas marcas no olhar.
GOMES, L. S.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

DEUS (ES)


DEUS (ES)

A percepção de Deus mudou, ou nós é que mudamos?
O Deus de minha infância é bom, coerente e preocupado com os humildes e menos abastados.
De um coração cheio de bondade, piedoso e com amor ao próximo sem questionar o que fez/faz este próximo.
A alegria sempre existiu aos nossos encontrar, mas o que aconteceu de lá para cá?
O novo Deus cristão do ano em questão, é quase um opressor pagão.
Ele queima a tira a roupa com um revólver na mão e a noite se junta em oração.
Sua pintura é tão caricata e desvirtuada que sua essência foi pela lama marcada.
Esse novo Deus derrama sangue, prega o ódio, e discrimina minorias que outrora foi o seu lugar, mais uma vez, onde o Deus de minha infância foi parar?
Eu não sei onde a nova filosofia cristã vai chegar, mas que pelo caminho já está deixando muitos corpos a sangrar, repetindo a história sem nem ao menos questionar.
Se um dia nos encontrarmos, eu quero te abraçar e perguntar como a humanidade te desvirtuou nesses poucos anos de vida, entre o meu aprender a caminhar e essa fuga de balas que estou preste a enfrentar.
GOMES, L. S.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

A DESESPERANÇA


A DESESPERANÇA

E quando nossos corpos estiverem retalhados e jogados em sarjetas, vielas e terrenos baldios, que pelo menos algum ser superior nos conceda algum repouso.
E quando a barbárie se instalar, que ao menos tenhamos força para morrer com dignidade.
E quando nossos entes queridos sintam nossa falta, que encontrem alguma força para acalmar seus corações inquietos.
A minha pele é negra, mas meu coração é pulsante como de qualquer um.
Meu corpo é feminino, mas meu cérebro é tão grande e seguro como de qualquer um.
Minha sexualidade é a realização pessoal que não é exposta a qualquer um, assim como deveria ser com qualquer um.
A escolha de me perseguirem é incompreensiva para mim, mas espero que após minha partida eu possa pelo menos descobrir o porquê de viver assim.
E quando em nome da família, de “Deus”, e dos bons costumes minha pele for dilacerada, eu possa no finito momento refletir, a beleza que eu vivi seguindo o que era certo para mim.
É a desesperança que me assola, é o pensar que tempos sombrios virão, e que meu corpo será o objeto de alguma perseguição.
O último pedido que tenho a fazer, é que alguém, qualquer um, faça uma pequena oração em nome daqueles que se vão em nome de um Deus que não é São.

GOMES, L. S.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Te reencontrei


Te reencontrei

De longe te admirei.
De perto me enrolei.
E para o vislumbre te mandarei.
Gostaria de expressar o quão gostoso foi te desbravar, mas tiveram horas que o meu ego me fez sangrar.
Deixo as linhas sob aquilo que te percebo.
E talvez, uma hora você volte a me olhar, como um cachorro à procura do seu dono no cheirar.
Está bem! 
Fica bem!
Eu estarei bem!
Mas se um dia precisar, basta chamar.
Não me reconheço. Confesso que também não te conheço.
O que ficará, será a doce ilusão do seu quem sabe beijar. 
O beijar de duas faces que o espelho não ousará 'refletar', pois o que fomos outrora já diverge do que somos agora. 
E o agora é diferente, por isso sigo contente, pois eu consegui te reencontrar em algum lugar, neste peito ainda a pulsar.
GOMES, L. S.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

CAÍ.


CAÍ.

Estes dias me vi caindo.
Caí tão profundamente lento que nem percebi a escuridão a me cercar.
Suas asas me cobriram, seu pseudo brilho me cegou, e aqui estou.
A coragem se foi, o amor brandou: “Contigo estou”, mas a força, em algum lugar ficou.
Me lembro da esperança naquele olhar, um olhar puro e inocente de um menino que só pensava em se apaixonar.
A paixão pela vida. Pela descoberta. Pela ciência do conhecimento e pelo toque de um lábio a me desbravar.
No hoje, não vejo o sentido. Não sinto a vela a desbravar, nem ao menos as lágrimas a derramar.
É, me vi caído.
Outrora me encantaria me lançar, mas nestas linhas deixo rimas pobres destes sentimentos sem ‘esperançar’.
Aquela bela voz ao fundo me dizia, o que minha alma ressoava sem eu imaginar: “Hold me down. I'm so tired now. Aim your arrow at the sky. Take me down, I'm too tired now. Leave me where I lie”
I lie.
Se é um deitar, repousar, ou um mentir, já não consigo enxergar, pois aquelas benditas asas me abraçaram enquanto eu continuava a deslizar.
GOMES, L. S.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O eu retorcido

O eu retorcido

Deito-me sobre escombros daquilo que um dia fui.
Desejo a queda livre sem um retorno.
Debruço-me a beira deste lago.
A demência é próxima. O caminho beira o chão.
Os entulhos recaem sobre velhos ombros cansados e feridos.
O desespero bate à porta, a janela estronda com o grito de nossa dor.
Os estilhaços machucam aquela face que um dia sorriu.
Chora. Grita. Rola e deixa sangrar. Expulsa os demônios para fora do teu lar.
A casa outrora gigante, hoje pequena como algo de ninar.
Canta. Embala. Sonha e afaga minha face, porque hoje eu vejo tua luz.
Cai. Permaneço por aqui, e um dia hei de ressurgir pelas mãos daquele que me fez cair.
O eu retorcido preso em um conflito daquilo que frito.
Fritar o que passou pelo que vai ser, mas tudo resplandece sobre um presente fincado dentro deste ser.

GOMES, L.S. 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Da Miséria. Hipocrisia. Carência e falta de originalidade...

Da Miséria. Hipocrisia. Carência e Falta de originalidade...

E assim termina nossa história, regada a sua hipocrisia e falta de amor próprio que você sempre fez questão de esconder atrás de um “sorria”. O mais legal é ver o quanto seu (pseudo) amor próprio sempre te leva a relações tóxicas transvestidas de bondade e ‘amizade verdadeira’. É, essa mesma que usa do teu dinheiro, dos teus bens, da tua inteligência e da sua ingenuidade mascarada atrás de uma intelectualidade.
Da carência, sempre tive certeza. Ah mas da falta de originalidade, essa com certeza eu nunca tive certeza. Sabe, partir sem retidão, não é partir, é se enganar. Ops, esqueci como há muita expertise em se enganar. Em se enganar que é feliz, que sabe escolher, que sabe ter, ou quem sabe, que sabe amar, embora não aguente ser repartida com um outro olhar.
De verás parece um escárnio, mas de frente, és o retrato mais fiel que tenho de você.
Negociar, falar, intelectualizar e saber podes até fazer, porém, da vida miserável, hipócrita com falta de originalidade com uma pitada de não ter é aquilo que está condenada a ter.
Vá com suas sangue sugas embaixo de sua blusa, e que se um dia voltares a ver, saibas que estarei em retidão bem de ante de você.
E de antemão antes que vá dizer que é um ‘recalque’ ou algo de ‘quem não tem o que fazer` saiba que eu fui muito mais homem que qualquer ‘ser’ que venhas a se tornar a ser.
GOMES, L. S. 

terça-feira, 3 de maio de 2016

Não digo o que sinto

Não digo o que sinto

Não digo o que sinto, pois serei egoísta. Tomo esse veneno e afogo-me em mim.
Tento ir, mas toda essa bagunça me prende nesse lar, mas o que seria um lar, se sempre estive de casa em casa a mudar?
Não sei, ando perdendo a lucidez. Choro sem nenhuma razão e desprezo o aconchego do meu colchão.
As vezes dá vontade de ficar, mas ao mesmo tempo eu sei que seria muito melhor do lado de lá.
Algumas vezes penso em Lana que um dia ousou dizer: "I wish I was dead", e do quão pesado poderia ser se não existisse um outro 'meser'. 
Voltei a essa droga que é rimar com mensagens tristes à orar, que fazem alguém sentir e pensar sobre este piegas que está a exclamar, a miséria que é sonhar.
Desiludido. Perdido. Sentindo vontade de calar, gritando ao mundo que já é hora de parar.
Volto. Paro. Penso. Já não sei o que falar, quando toda essa merda se for ao ar e um reles cadáver de poesias restar.

GOMES, L. S.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Pobres rimas

Pobres rimas

Hoje eu fiquei a pensar que rimas pobres e medíocres eu me proponho sempre a desenhar.
Sou apenas um ridículo que quer poetizar algo que passa pelo canto do olhar, mas que sem saber não representa nenhum dizer.
Sinto-me fadado ao fim. Há dias este meu eu a escrever só tem me feito sofrer. Eu sinto que já não sei se sei fazer.
Era para me fazer crer, no entanto, agora, só tem me feito sofrer.
Tenho pensado em deixar de rabiscar, porque o mundo não merece mais linhas fracas e rimas fáceis ao falar. Por isso, talvez, este blog eu vá encerrar, para então te poupar de meu sofrimento exposto neste rimar.
É. Eu queria te informar que tenho mais a oferecer, mas perdi a graça do meu bem querer e agora estou sem mais o que dizer. É o fim, até algum dia por aí.

GOMES, L. S.